ARTE DE OUVIR E ... REDIGIR: Seção ARTIGOS

 2011-07-02 15:57

 

 

Dedicamos este cantinho do nosso site aos desafios de “OUVIR E REDIGIR”!

 

"É preciso penetrar o silêncio, devassar-lhe a intimidade!
É preciso tecer histórias! É preciso tecer a História!
É preciso resgatar e inventar tradições!
Onde estarão as palavras?
Onde estará o leitor?
Com tanto por fazer, os autores tiraram folga?!? 
 Apressem-se mes enfants!
 Instrumentos à mão e Mãos à Obra!!!" 

 

                                                 (Maramax 2011)

  

Estando a epígrafe devidamente redigida e “aprovada”, declaramos solenemente aberta nossa seção de artigos sobre ARTES _ em suas multiplas formas_, Cultura, Política,História e afins e convidamos você, leitor, a percorrer conosco caminhos por vezes árduos e desafiadores; mas sempre saborosos!

 

Abraços do ANTIQUE

 

Eis aí nossa primeira obra! Agora é dar sequência à história! Mas cadê o primeiro ARTIGO?

 

A Arte de Ouvir e...Redigir: Seção ARTIGOS

09/07/2019 15:12

CONTRIBUIÇÕES DO LUNDU PARA A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Mara Coelho Maximiano

        (Mara Max)

 

 

 

Resumo

Neste artigo são examinadas as contribuições do lundu para a formação da música popular brasileira (MPB). De origem africana, o lundu se mesclou à cultura brasileira nascente. Dos desdobramentos deste ritmo, surgiria uma forma de compor peculiarmente brasileira.

 

Palavras-Chave: Lundu; MPB; Música.

 

Abstract

This article examines the contributions of lundu to the formation of Brazilian popular music (MPB). Of African origin, the lundu merged with the nascent Brazilian culture. A peculiarly Brazilian way of composing would emerge from the unfolding of this rhythm.

 

Keywords: Lundu; MPB; Music.

 

INTRODUÇÃO

 

A música perpassa a história das civilizações e constitui um elemento essencial  na formação cultural de um povo.  Se, no Brasil, a música em sua forma mais estruturada chega a estas terras trazida pelos colonizadores portugueses, veremos associarem-se a ela as contribuições de índios e negros, criando uma música mesclada por influências distintas. Ao deixar os salões das elites e atingir as rodas públicas, a música começa a adquirir contornos cada vez mais característicos de um povo resultante do encontro de três raças. Este povo, ímpar, intitula-se povo brasileiro e a sua música reflete uma cultura em formação: a cultura brasileira. Neste processo, destacam-se, já no século XVII, a influência de dois estilos de composição que se tornariam as bases da música popular brasileira (MPB), quais sejam: o lundu e a modinha. Neste artigo, analisaremos as contribuições do lundu para o nascimento e posterior desenvolvimento da MPB.

 

LUNDU: DE SUAS ORIGENS À FORMAÇÃO DA MPB

 

Com os africanos chegaram também ao Brasil elementos próprios de uma cultura muito diversa daquela conhecida pelas famílias portuguesas. Acredito que para manterem viva a África que lhes habitava a alma, os negros percutiam os tambores e moviam os corpos em   ritmo sensual que lhes trazia a lembrança e o aconchego do que um dia eles conheceram como casa: as suas tribos. Dentre estes ritmos, destaca-se o lundu:  uma dança dengosa cantada e executada com ares de voluptuosidade. É nele que vamos encontrar as bases da MPB.

 

No lundu (landum, ludum, londu), os participantes cantam, batem palmas e dançam formando roda, enquanto, ao centro, uma dupla leva um ventre de encontro ao outro na umbigada. Este ritmo chegou as nossas terras muito provavelmente trazido pelos negros de Angola. Penso que por ser uma dança contagiante, o lundu não se deixou aprisionar pelas algemas da escravidão. Aos poucos, tornou-se senhor de si mesmo, largou as senzalas, espalhou-se pelas vilas para, em tempos futuros, e com uma formatação mais apropriada, alcançar os salões.

 

Quando percorro a história da literatura brasileira, evidencio, já no século XVII, o poeta Gregório de Matos adotar em suas composições o lundu: uma dança condenada pela Inquisição e pelos jesuítas. Acunhado de “Boca do Inferno” e “profano”, este poeta cantou seus versos em lundus, ritmo já bastante disseminado pela colônia. Acompanhado agora por uma guitarra ou viola, Gregório de Matos retratou, em seus lundus, a voluptuosidade e a sensualidade das amantes que conquistou, ficando também conhecido como o “Homero do Lundu”, forma de composição que ele aperfeiçoou e divulgou pelo Recôncavo Baiano.

 

Outro nome que merece destaque é o de Domingos Calda Barbosa. Filho de um comerciante português com uma negra, este poeta carioca e tocador de viola levou a Portugal o lundu e modinha. Com versos satíricos e, por vezes maliciosos, Calda Barbosa consolidou estas formas de compor. No segundo volume de seus versos, pelo menos seis de suas composições intitulam-se lundus.

 

No que concerne à forma, ao longo dos séculos, o lundu passa de canção solista à música instrumental executada em bandolins e cravos. Se o lundu-dança continuou a ser praticado por negros, o lundu enquanto canção começou a ser explorado por músicos de teatros. Desta forma, ganhou cada vez mais projeção.

 

Analisando-se a origem da música brasileira, vejo no lundu o despertar de uma forma de compor que, séculos a frente, se transmutaria até adquirir os contornos do samba, ritmo pelo qual o Brasil é plenamente reconhecido no exterior. Penso que devemos aos negros mais esta grande contribuição. Ainda que cativos, deram asas à cultura que trouxeram, mesclaram-na com elementos próprios desta terra e nos presentearam com as bases de nossa música popular.

 

Cantar MPB é, para mim, sobretudo, cantar a nossa própria história: a história de um povo constituído pelo encontro de raças e que soube amalgamar, com maestria, contribuições diversas. Se isto não houvesse ocorrido, não teríamos esta riqueza representada pela música popular brasileira.

 

CONCLUSÃO

 

É inegável a contribuição africana para a formação e a consolidação da cultura brasileira.  A meu ver, não seria possível falar em uma MPB com a riqueza sonora e rítmica que observamos ao longo da história da música brasileira se os elementos africanos não    impregnassem com o seu gingado as suas bases.

 

Penso que se hoje o samba tornou-se a identidade musical do Brasil foi porque, em sua ancestralidade, o lundu ofereceu-lhe os fundamentos. No lundu estão as nossas raízes, portanto, acredito que a ele só temos o que agradecer.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

ALBIN, R. C. O Livro de Ouro da MPB - A história de nossa música popular de sua origem até hoje. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

ANDRADE, M. Aspectos da Música Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira Ebook, 2012.

BOSI, A. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2009.

MARIZ, V. História da Música no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

RIBEIRO, D. O Povo Brasileiro: A formação e o sentido de Brasil. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

 

 

   ( * ) Mara Coelho Maximiano cursa Licenciatura em Música na UNINCOR e é menbro do ANTIQUE

   ** Artigo escrito para a disciplina História da Música Brasileira/ Universidade Vale do Rio Verde _ UNINCOR

 

13/04/2019 17:31

MÚSICA & INCLUSÃO: UM BREVE OLHAR

Mara Coelho Maximiano

        (Maramax)

MÚSICA & INCLUSÃO:  UM BREVE OLHAR

 

CONTRIBUIÇÕES DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 

         A música é uma experiência universal. Ao atuar sobre os sentidos, ela é capaz de despertar emoções diversas, contribuindo de forma significativa para o processo de socialização e aprendizagem. Sob esta abordagem, a música se torna também uma ferramenta ímpar no processo de educação inclusiva.

         A educação musical precoce favorece o desenvolvimento e a formação de indivíduos com sinapses cerebrais mais fluidas e conectadas, com maior controle emocional e com melhores níveis de criatividade. Por trabalhar áreas relativas à empatia, a música desperta nos indivíduos a capacidade de melhor compreender a si mesmos e ao outro promovendo, assim, melhorias no processo de autopercepção, de socialização e, consequentemente, de aprendizagem.

         Acredito que a escola seja um ambiente heterogêneo onde crianças, jovens e adultos de variados perfis, habilidades e deficiências se convergem. Neste contexto, a educação deixa de ser um processo totalmente uniforme e transforma-se em uma educação na diversidade. O educador, a fim de promover uma educação inclusiva, deve compreender os educandos, em todas as suas complexidades e, assim, criar um ambiente favorável para que o aprendizado se realize. Sob esta perspectiva, a música pode ser utilizada para contextualizar temas abordados durante a aula. Por relacionar-se com as emoções, a música também cria um sentimento de prazer que auxilia na compreensão e fixação dos conteúdos.

           Na minha opinião, a aula de música é um momento ímpar, pois durante a realização desta atividade, as diferenças se diluem. Cada aluno, dentro das suas capacidades e limitações, contribui de forma singular para a concretização de uma vivência musical mais ampla, onde todos se beneficiam igualmente das sensações, das emoções e conferem significado ao conteúdo temático a ela relacionado.

      Conforme verificado, a música desempenha um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem, podendo ser empregada de maneiras diversas, segundo a finalidade desejada. A educação inclusiva tem na música, portanto, uma ferramenta fundamental para que as metas escolares sejam atingidas de forma lúdica, tendo por centro os educandos e sabendo que cada aluno traz consigo vivências, habilidades e necessidades diversas a serem trabalhadas em um ambiente comum, qual seja: a escola.

 

 

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: TERMINOLOGIAS APLICADAS_ do foco na deficiência ao foco no indivíduo

    O histórico das terminologias aplicadas para se referir às pessoas com deficiência remonta aos primeiros esforços direcionados à compreensão das diferentes necessidades relacionadas a estes indivíduos e à forma de melhor inseri-los no contexto social.

    Se, na atualidade, o termo pessoas com deficiência trás para um primeiro plano a pessoa, no passado, muitas das terminologias hoje consideradas politicamente incorretas, tinham por foco a deficiência e não o indivíduo. Desta forma, pessoas com deficiências físicas eram denominados pelo termo “aleijados (as)” ou por outros que traduzissem de forma evidente e, por vezes, pejorativas a deficiência física em questão.

    No campo das deficiências intelectuais ou mentais, a evolução dos termos também revela trajetória parecida.  Se, no século XIX, o médico Britânico John Langdon Down, empregou o termo mongoloide para ressaltar a semelhança física existente entre indivíduos portadores da síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21) e pessoas da raça asiática, ao ser utilizada pelo público em geral, a terminologia logo ganhou um cunho pejorativo, pois tornou-se sinônimo de pessoas com comprometimento intelectual.

    O Termo “Excepcional” foi um outro termo amplamente utilizado entre as décadas de 50 e 70 para se referir a pessoas com comprometimento intelectual. Posteriormente, com os avanços decorrentes de estudos relacionados às habilidades intelectuais positivas, ao longo dos anos 80 e 90, o termo passou a designar também pessoas com inteligências múltiplas acima da média.

    Se o termo “deficiente”, por antepor a deficiência ao indivíduo, tem uma conotação pejorativa, devendo ser, portanto, evitado, o termo “especial”, por sua vez, comtempla um contingente maior de indivíduos a exemplo de idosos, gestantes, obesos, não sendo, portanto, o termo mais adequado para se referir especificamente às pessoas com deficiência. Mas o termo pessoas portadoras de necessidades especiais, ainda que inclua um contingente maior de indivíduos, ainda é utilizado para designar cursos da área de saúde cujo foco é a capacitação de profissionais para atender pessoas com deficiência. A título de exemplo, temos o curso de capacitação da USP para atendimento às pessoas portadoras de necessidades especiais assim como alguns cargos públicos na área da saúde destinados a este fim.

    Na atualidade, entretanto, a tendência é a transferência de foco da deficiência para o indivíduo. Desta forma, a terminologia considerada a mais adequada nos dias atuais é “pessoa com deficiência”, pois sob esta nova perspectiva, o indivíduo se projeta e assume preponderância sobre a deficiência da qual é acometido.

 

 

( * ) Mara Coelho Maximiano cursa Licenciatura em Música na UNINCOR e é menbro do ANTIQUE

   *    Artigo escrito para a disciplina PRÁTICA DE FORMAÇÃO-EDUCAÇÃO INCLUSIVA/UNINCOR

18/06/2018 14:35

SERIALISMO

Mara Coelho Maximiano

     (Maramax)

schoenberg e o dodecafonismo

 

Um breve olhar pela história da música é capaz de revelar que todos os períodos guardam entre si uma similaridade, qual seja: a necessidade de se produzir algo novo. A uma inquietação inicial do espírito humano, somam-se as mudanças socioeconômicas e culturais que imprimem novas perspectivas e valores às antigas percepções. Com o alvorecer o século XX, o romantismo, com fortes harmonias estruturadas sobre um tonalismo musical, já não mais atendia aos anseios de uma população assobrada por incertezas. Neste panorama, as contribuições de Schoenberg despontam como uma alternativa à produção musical nascente sobre bases atonais.

 

Ainda que em seu trabalho Schoenberg tenha partido de um questionamento da música tonal, o serialismo não se confunde com música atonal livre, uma vez que Schoenberg se apoiou em regras para estruturar seu trabalho. Segundo esta perspectiva, às sete notas da escala diatônica se contraporiam os dozes sons presentes em uma sequência cromática. O dodecafonismo estruturado por Schoenberg parte de uma série criada com 12 sons, sendo que uma nota só poderia se repetir após serem apresentadas todas as demais. Para organizar a utilização da escala, este compositor propunha uma apresentação inicial da série e suas variações representadas pela série retrógrada, isto é, a série inicial lida de trás para diante; a série invertida, em que ocorreriam inversões nos intervalos e a série invertida retrógrada, representada pela série invertida lida de trás para diante.

 

Esta quebra de paradigmas proposta por Schoenberg já havia sido considerada, ainda que de forma menos intensa, por compositores como Wagner, Claude Debussy e Stravinsky. Fato que já sinalizava para uma insatisfação com as regras musicais vinculadas ao tonalismo vigente. Ainda que o sistema criado por Schoenberg tenha ultrapassado e muito as fronteiras alemãs, ele teve um impacto menos expressivo que aquele imaginado pelo compositor, mas dois nomes se destacaram como propagadores dos trabalhos de Schoenberg: Alban Berg e Anton Webern. Se o primeiro buscou incorporar novos elementos ao dodecafonismo, o segundo manteve-se fiel aos preceitos do mestre. Mas, para além dos trabalhos de Schoenberg, o emprego de séries na composição musical continuou a ganhar projeção e novas interpretações na música moderna, a exemplo do serialismo integral_ em que uma série é utilizada para organizar todos os parâmetros de sons de uma peça.

 

Neste primeiro quarto do século XXI, uma releitura das contribuições de Schoenberg confirma que o dodecafonismo, como tantas outras manifestações artísticas que floresceram no limiar do século XX, não foi a única forma de romper com o tradicionalismo vigente, mas sim uma das formas por meio da qual as artes, e a música em particular, refletiram as angustias e contradições de um século.

 

( * ) Mara Coelho Maximiano cursa Licenciatura em Música na UNINCOR e é menbro do ANTIQUE

   *    Artigo escrito para a disciplina História da Música/UNINCOR

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14/06/2018 21:06

TROVADORISMO MUSICAL

Mara Coelho Maximiano

   (Maramax)

          O Trovadorismo Musical

 

O Trovadorismo foi um estilo de época predominante na Baixa Idade Média (séc. XII ao XIV), momento de decadência do feudalismo e de reativação das trocas comerciais. Esta quebra de antigos paradigmas encontrou reflexo no campo das artes, tendo no Trovadorismo a representação da  primeira escola literária portuguesa, mas seu domínio se estendeu também para o campo da música.

 

Os trovadores eram geralmente representantes da nobreza, poetas ou cantores cujas obras eram escritas à mão e agrupadas nos “Cancioneiros” _ uma coletânea de canções. Dos cancioneiros de que se têm conhecimento, distinguem-se três: o “Cancioneiro da Ajuda”, o “Cancioneiro da Biblioteca” e o “Cancioneiro da Vaticana”. Além dos trovadores, responsáveis tanto pela composição quanto pela execução das peças, destacam-se também, neste período, alguns tipos de intérpretes, a exemplo dos jograis, constituídos por pessoas não pertencentes à nobreza, mas que interpretavam aquelas obras e, às vezes, compunham as próprias. Os Segréis se assemelhariam aos jograis por saber executar obras alheias e compor suas próprias, mas a origem de seus representantes mantinha vínculo com a nobreza decadente.

 

Durante o Trovadorismo, as produções poéticas eram cantadas e acompanhadas por instrumentos musicais simples e, por isso, denominavam-se cantigas. Nos cancioneiros, é possível reconhecer dois tipos característicos de cantigas: as Líricas (cantigas de amor e de amigos) e as Satíricas (cantigas de escárnio e de maldizer). A “Cantiga da Ribeirinha”, de Paio Soares de Taveiros (1189) marca este período.

 

 Ao analisar-se as cantigas do gênero Lírico, temos o amor como temática. Nas Cantigas de Amor, observa-se um eu lírico masculino. Nestas cantigas, os homens geralmente cantavam um amor não correspondido, estando a mulher situada em um plano superior. De fato, esta relação representava também a própria relação de vassalagem em que se fundamentou o feudalismo, estando o servo, portanto, subordinado ao seu senhor. No caso, o amor masculino se subordinaria ao feminino.  Nas Cantigas de Amigo, embora os trovadores fossem homens, o eu lírico era feminino e cantava a saudade que as mulheres sentiam de seus amados que partiam para as guerras ou para as cruzadas. Neste tipo de cantiga, o eu lírico feminino contava com um confidente, geralmente representado por Deus, pela mãe, por uma amiga ou por algum elemento da natureza a quem a fala se direcionava. Estruturalmente estas cantigas eram mais simples que as de amor.

 

No gênero Satírico, as cantigas provinham do povo e serviam para ridicularizar situações e pessoas da época. Neste gênero, destacam-se as Cantigas de Escárnio e de Mal dizer. Nestas últimas, o nome ou as características marcantes das pessoas a quem se dirigiam as canções eram diretamente evidenciadas. Nas de Escárnio, a crítica era mais sutil.

 

Conforme observado, o Trovadorismo, ao associar letra e melodia, trouxe significativa contribuição para as artes em geral e para o desenvolvimento musical da época.

 

( * ) Mara Coelho Maximiano cursa Licenciatura em Música na UNINCOR e é menbro do ANTIQUE

   *    Artigo escrito para a disciplina História da Música/UNINCOR

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30/08/2015 23:38

PATRIMÔNIO E MEMÓRIA

 

Luísa Arantes

 A EVOLUÇÃO DA DOENÇA DE ALZHEIMER

 

 No Brasil, existem cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Seis por cento delas sofrem do Mal de Alzheimer, doença incurável acompanhada de graves transtornos às vítimas. Como eu sei disso? Acabei de ler e daqui a 5 minutos não vou ter lembrança alguma de que lhe contei isso. 

Prazer, meu nome é Leopoldina e eu tenho 161 anos. Pode-se notar que estou dentre as mais de 15 milhões de pessoas maiores de 60 anos que sofrem de Alzheimer. Saiba também que a doença não tem cura! Então, só me resta compartilhar com vocês memórias passadas que, com certeza, estão intactas.


Tenho dois filhos, o primeiro amava as histórias de nossos antepassados. Os primeiros habitantes dessa minha terra foram os índios Purís, “os filhos da terra”, que possuíam uma vasta cultura, mas foram ‘extintos’. A força de trabalho passou a ser feita pelos negros, pode ser inacreditável, mas em 1876 obtivemos a maior população de escravos da província, fato de que não me orgulho. Lembro-me de alguns nomes: Davi, Américo, Vicente, Joaquim, Antônio, Miguel... e um comerciante que vendia escravos, Michel Jackson, que foi morto por seus escravos em uma rebelião... Sim, Michael Jackson, não o rei do pop, mas essa já é outra história.


No início do século XX, ele chegou, meu segundo filho, parecia um astro de cinema, com ideias inovadoras vindas da Inglaterra e, em pouco tempo, fez muito sucesso. Sua presença abriu caminho para a chegada dos automóveis, televisão, estrada de ferro e as modernas construções. O primeiro arranha céu foi o Bazar René, com elevador e tudo; esse foi o marco de transição do “povo da roça” para a “cidade grande”. Meu filho fez parecer que era um enorme presente, poderia até ter considerado como meu aniversário!


O primeiro carro a chegar foi saudado por toda a população com uma garrafa de champanhe, a primeira escada rolante desfilou pelas ruas em uma carreata eufórica...O tempo foi passando e, cada vez mais, fui ficando “moderna”, meus sobrados, que antigamente eram ornados com lindos detalhes arquitetônicos, como beirais, afrescos, sacadas, jardineiras, tão admirados pelo meu primogênito, já não faziam tanto sucesso entre os adeptos das ideias revolucionárias do meu segundo filho.Mas vocês não devem mais saber o que são essas belezas, já que foram sendo substituídas por caixotes cinzentos de muito mau gosto! Perdoem minha língua ferina, mas a idade me deixa amargurada e a disputa entre os meus dois filhos pioram minha condição de saúde.


Já é perceptível que tenho uma vida como a de Natividade, mãe de Pedro e Paulo, na obra de Machado de Assis. A cada ano, mais eles se distanciam, pois um valoriza a memória e o outro acredita que a natureza e o “velho” atrapalham o desenvolvimento da cidade.


Não posso defender nenhum deles, pois posso acabar causando um briga maior ainda! Às vezes concordo quando meu filho diz que estamos nos desfazendo de nossa história e de nossa memória, e que mais uma vez a história se repete: trocamos as “penas” pelos “espelhos” dos portugueses. Porém, a modernidade tem suas vantagens, trouxe avanços na medicina, tecnologia e meios de comunicação, que tornam nossa vida muito mais fácil. 


Meu segundo filho está cada vez mais popular, é visto como modelo a ser seguido, todos querem tirar uma selfie com ele!Mas será que é sonhar demais pensar que eles podem conviver juntos?


Com essa minha memória falha, acabei me esquecendo de contar o mais importante! Vocês conhecem os meus filhos! Um, coitado, está em depressão, isolado da sociedade; seu nome é Patrimônio e o outro, nem preciso citar o nome, pois vocês já o conhecem muito bem. Ele está em todas as redes sociais e é notícia em todos os canais de televisão, ele é o tão idolatrado Progresso.


Então, uma grande parcela da população brasileira sofre do Mal de Alzheimer...Será que eu já falei isso?... 

 

( * ) Luísa Arantes cursa Letras na UFJF 

 

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16/09/2011 12:36

TERRA DE ÍNDIO

José Gabriel C. V. Barbosa

            Sim, Leopoldina era, literalmente, terra de índio (e no bom sentido!), o que faz Oiliam José se referir a ela como “derradeiro refúgio dos Puris”. Temos a Serra dos Puris, da qual faz parte o Morro do Cruzeiro, para não nos deixar esquecer, já que apagar o passado é uma das características da gente daqui, que parece querer esconder suas raízes. Se não cuidamos, sequer, de nosso passado glorioso, jogando no chão muitos exemplares da arquitetura histórica, imaginem se não iríamos empurrar para debaixo do tapete nosso passado mais cruel: aquele do encontro das três principais raças que nos formaram e que está registrado nas feições de nosso povo.

 

            Parece que não foi nada admirável o convívio inicial entre índios, brancos e negros, ou, em outras palavras, entre remanescentes Puris, colonos luso-brasileiros e escravos africanos, nesta região, há menos de dois séculos. História feita de muita incerteza, medo, sofrimento, doença, morte... Digo história, e não pré-história, porque ela está, de certa forma, registrada em diversas fontes escritas, algumas das quais saciam e instigam, ao mesmo tempo, minha sede de saber.

 

            Convido-os a uma viagem no tempo, para compartilharmos visões do embate entre os nativos e os colonizadores, começando por Barroso Jr. (1954), quando ele romanceia o momento após a primeira missa celebrada no Município: “Entardecia. A capela solitária doirava-se toda de sol no langor do ocaso. A cruz da ermida rústica e a pedreira milenária coroada de mata virgem eram dois marcos diferentes da vida brasileira daqueles sertões: um estadeando as conquistas do cristianismo, outro testemunha secular do gentilismo agonizante.”

 

           Um pouco anterior (1912) é a referência poética que Augusto dos Anjos faz desse encontro fatídico: “Em vez da prisca tribo e indiana tropa / A gente deste século, espantada, / Vê somente a caveira abandonada / De uma raça esmagada pela Europa!”

 

            Francisco de Paula Ferreira de Rezende, que veio para esta região em 1861 e a ela se referia como “uma das gemas mais preciosas da nossa província”, encontrou poucos vestígios dos Puris: declara que vira alguns na “Fazenda Soledade” e “uma espécie de pequeno aldeamento deles, um pouco para lá do atual arraial dos Tebas na estrada que ia para o Rio Pardo”.

 

          Entretanto, se viajarmos dois séculos, encontraremos fontes presenciais: os hóspedes de Guido Marlière - naturalistas europeus que estiveram em sua fazenda, Guido Wald (= mata do Guido, hoje, Guidoval/MG), e conviveram com Puris e Coroados, ainda nus, no vigor de sua cultura. Presenciaram seus costumes nômades, danças, cantos em língua do tronco macro-jê, vida social...

 

          Para entendermos a presença desses visitantes, resta lembrar que, com a transferência da sede do império português, em 1808, o Brasil viveu uma revolução cultural: abertura dos portos, criação de cursos superiores, imprensa... Com isso vieram as missões artísticas e científicas a fim de estudar o que ainda era inexplorado para o mundo do conhecimento, deixando em nossa memória nomes que certamente já ouvimos na escola: Debret, Taunay, Rugendas, Spix e Martius...

 

          Além de conhecer a geografia, plantas e animais, os nativos estavam entre os principais interesses desses naturalistas que chegavam anualmente à Corte. Mas onde encontrá-los, em estado natural, se o litoral já padecia de mais de 300 anos de colonização? Bem perto, nas “áreas proibidas”, mais ou menos o que conhecemos hoje por Zona da Mata. Entretanto, não havia caminho direto, cruzando a Serra do Mar e o Paraíba... Fazia-se necessário seguir a estrada real até Vila Rica e, de lá, seguir para o sul, passando por lugares que hoje chamamos de Mariana, Ponte Nova, Viçosa, até o Presídio de São João Batista (atual Visconde do Rio Branco), vizinho da Guido Wald. Mas não eram estradas como as que conhecemos! Era trilha na mata: “tão estreita, que a custo passava uma mula atrás da outra; escura como o inferno de Dante”.

 

           Guido Thomaz Marlière foi nomeado Diretor dos Índios do Pomba em 1813, com a missão de “civilizá-los”, o que significava, principalmente, vesti-los, catequizá-los, familiarizá-los com o trabalho na lavoura e aldeá-los (sedentarizá-los). Foi a partir de então que muitos dos cientistas trilharam esse caminho até sua fazenda, assentada entre Puris, Coroados e Coropós. Georg W. Freireyss, Barão de Eschwege, Auguste de Saint-Hilaire, Maxilimiano de Wied-Newied, Johann Baptiste Von Spix e Carl Friedrich Von Martius foram alguns dos hóspedes do francês que tentava defender os índios, numa época em que o império português lhes havia decretado guerra.

 

          Estes dois últimos, Spix e Martius, na época jovens de 37 e 24 anos, respectivamente, foram os que mais detalhadamente descreveram nossos antepassados pré-históricos. Aportaram no Rio de Janeiro em 15/07/1817, integrando a missão científica enviada por Francisco I da Áustria, que preparava terreno para a chegada de sua filha, esposa de D. Pedro I, a futura Imperatriz Leopoldina. Em dezembro daquele mesmo ano, deixaram o Rio de Janeiro em direção a São Paulo e, de lá, seguiram para Vila Rica, onde conheceram Marlière, que estava em tratamento da saúde e os convidou para uma visita à fazenda e aos índios.

 

          A viagem se deu entre 31/03 e 21/04 de 1818, tempo suficiente para traçarem relatos preciosos sobre nossos ancestrais mais esquecidos, tais como: “os humanitários esforços no trato do Cap. Marliére, especialmente aos Coroados, tem produzido os mais vantajosos resultados. (...) Calcula-se o seu número em mais de dois mil; entretanto, nos últimos anos, muitos morreram por doença, sobretudo disenteria. Os Puris, seus inimigos, que, excetuando uma pequena parte no Rio Pardo e no Rio Paraíba, ainda não reconhecem a soberania dos portugueses, são mais numerosos, montando provavelmente a cerca de 4 mil almas.” “Os índios são baixos ou de estatura mediana; (...) as partes masculinas são muito menores que as dos negros, e não, como as destes últimos, em constante turgidez; (...) nas axilas e sobre o peito, não se nota em geral cabelo algum; nas partes sexuais e no queixo dos homens, apenas leve penugem.” “Vivem os índios em monogamia ou poligamia sem regra. (...) Certas tribos são dadas ao vício de sodomia.” “Os rapazes casam-se com 15 a 18 anos, as moças com 10 a 12.” “O seu mais importante meio de cura consiste em repouso e dieta.” “Os índios pouco adoecem (...), se, porém, lhes é levado o contágio dessas doenças [dos imigrantes, como sífilis ou sarampo], propagam-se com a máxima rapidez, e facilmente dão cabo deles.”

 

          Pela voz dos naturalistas, temos a confirmação da violência a que nos referimos ao começar este artigo e que marca o início de nossa história, antes mesmo do período da escravidão de negros nas lavouras de café. O desaparecimento dos índios não se deve apenas às doenças levadas pelos brancos, intencionalmente ou não, mas “também ao costume de servir-se de uma tribo para hostilizar a outra, como já aconteceu com os Coroados contra os Puris, e à crueldade dos postos militares, que estenderam também aos Puris a guerra de extermínio legalmente autorizada contra os Botocudos.”

 

           Felizmente ficaram suas melodias, registradas em partitura por Spix e Martius nos rituais indígenas que presenciaram, que voltaram a ser música, quase dois séculos depois, na leitura feita pelo grupo Antique de Leopoldina. Quem quiser ouvi-las, ou obter mais informações, acesse nosso canal no Youtube e boa viagem no som dos Puris!

 

          Ah, uma dúvida! Será que a especulação imobiliária, a exploração e o pouco cuidado com nossa cidade não seriam desdobramentos desse passado impensado, transformando-a em “terra de índio” no sentido pejorativo da expressão?

 

(*) José Gabriel C. V. Barbosa é músico (integrante do Grupo ANTIQUE), servidor público, membro da ALLA e da OSCIP Felizcidade.

  

 Bibliografia:

 

AGUIAR, José Otávio. Memórias e histórias de Guido Thomaz Marlière (1808-1836). Campina Grande: EDUFCG, 2008.

ANJOS, Augusto dos. Obra Completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2004.

BARBOSA, José Gabriel Couto de Viveiros. Cidade, história, sexualidade e poder: o lugar político do homossexual. Dissertação a ser apresentada junto à Universidade Lusófona de Lisboa para a obtenção do grau de mestre. Leopoldina: do autor, 2011.

JOSÉ, Oiliam. Indígenas de Minas Gerais: aspectos sociais, políticos e etnológicos. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1965.

JÚNIOR, Barroso. História de Leopoldina, in Revista Acaiaca, número 60, de março de 1954, Ed. Comemorativa ao centenário de Leopoldina. Belo Horizonte: Acaiaca, 1954.

REZENDE, Francisco de Paula Ferreira. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.

SPIX, Johann Baptist von e MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von. Viagem pelo Brasil: 1817-1820, volume 1. Belo Horizonte: Editora Itatiaia Ltda., 1981.  

 

 

 

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10/07/2011 20:07

SOCIEDADE: UMA OBRA DE ARTE?

Ereny Sales

          A arte é a prova viva da existência da humanidade. Os nossos mais remotos ancestrais, em busca da própria sobrevivência ou da do grupo a que pertenciam, foram capazes de criar, inventar e recriar a partir dos materiais de que dispunham: pedra, pau, barro, dentre outros. Ao esculpir, desenhar ou pintar, eles construíram conhecimento e o transmitiram às sucessivas gerações. Dessa forma, a arte tornou-se produto do ser humano, “ao estudá-la, estuda-se também o homem, assim como, ao estudar o homem, em algum momento, estuda-se a arte” (ZAGONEL, 2008, p.32).

 

             Em nosso constante diálogo com o mundo, a arte é um dos principais instrumentos; por meio dela, comunicamos e expressamos nossos sentimentos em variadas formas e múltiplas linguagens. Nos registros históricos, lemos que o homem primitivo, antes de escrever, desenhou nas paredes das cavernas. Deduz-se, que ao reproduzirem as imagens, eles não estavam simplesmente fazendo arte, mas criando linguagem, forma de expressão e comunicação, que regeria suas relações em sociedade. Os símbolos foram, portanto, criados para significar ou interpretar algo que possa definir a identidade de indivíduos, povos ou grupos sociais. Por intermédio das manifestações artísticas, podemos descobrir as características próprias de cada cultura e referendá-las a épocas diversas.

 

            A partir das pinturas das cavernas, foi-nos possível entender a vida humana em épocas remotas. Com a arte greco-romana, compreendemos estilos, equilíbrios, proporções, harmonia, simplicidade etc. Com os estilos predominantes em cada época _barroco, arcadismo, romantismo e outros _, as gerações subseqüentes enriqueceram-se ao apropriarem-se de novas formas de compreensão do mundo e de expressão de suas relações em sociedade. No contato com pinturas e afrescos presentes nas igrejas barrocas, defrontamo-nos com preciosidades deste estilo e encantamo-nos com a capacidade humana de criar, por meio de discurso artístico, formas de registrar o modus vivendi de uma época e de nele intervir. A título de ilustração, obras como as do compositor Johann Sebastian Bach (1685), ao adotarem o discurso polifônico e registrarem quase que perfeição da criação humana em singeleza, beleza e harmonia, tornaram-se referência na forma barroca de discorrer sobre o mundo seiscentista e de retratar concepções e valores presentes naquela época.

 

          Já no limiar do século XX, surgem formas bastante heterogêneas de perceber, registrar e intervir no mundo em formação. A arte moderna desponta deteriorando regras, criando novas formas de compreender o mundo e de com ele interagir. A partir de concepções artísticas diferenciadas, vinculadas pelo sufixo “ismo”_ Fauvismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, dentre outros_ os modernistas abusaram da criatividade e da liberdade para questionar ou retratar os padrões vigentes.

 

          Seja na pré-história ou na contemporaneidade, a arte produzida não pode ser compreendida apenas em termos estéticos. A função social da arte é praticamente indissociável do objeto de arte em si. Apreciar uma obra de arte é lançar o olhar para além do objeto e, assim, penetrar-lhe as origens. Para compreender o artista e sua obra, é necessário inquirir sobre as motivações que o impulsionaram durante o processo de criação. Na maioria dos casos, as motivações têm origens nas inquietações resultantes da interação entre o homem e meio sociopolítico e econômico que o circunda. Sob este prisma, objetos que hoje compreendemos como obras de arte pura e simples, foram, em sua essência, veículos de expressão da cidadania.

 

            Refletir sobre a arte é, portanto, considerar sua importância na formação do sujeito e da sociedade. Segundo Foucault, a arte não deve ser vista como objeto estético_ externo ao individuo_ e sim como instrumento_ modo de ser e se relacionar com o entorno_ que permita aos seres humanos expressarem-se e intervirem na sociedade.

 

           Se entendermos que por intermédio da arte é possível uma relação de aprendizagem, pode-se dizer que, entre tantas, a arte tem função singular: a de contribuir para preparar o sujeito para viver em sociedade e fazer de sua vida obra de arte. Nesse caso, a arte pode proporcionar transformação do ser humano por meio da sensibilidade e da criatividade, tornando-o consciente de sua ação transformadora na formação de sociedade melhor e mais justa.

 

(*) Ereny Ferreira Sales é mestranda em Ciência Política e integrante do Grupo ANTIQUE.

 

Bibliografia: 

         FERRARI, Anderson. Sujeitos, Subjetiviades e Educação, Editora:UFJF, 2010

         ZAGONEL, Bernadete. Arte na educação escolar, Curitiba: Ibpex, 2008.

 

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